Informativo Artigos - Agosto / Setembro / Outubro - 2003
2º Salão Artes Plásticas Três Lagoas em Movimento – Mato Grosso do Sul.
Parabéns artistas premiados!!!
A entrega dos prêmios será as 19:30horas (horário de Mato Grosso do Sul) de 05 de setembro de 2003 no SEBRAE de Três Lagoas – Mato Grosso do Sul.
1º Lugar: Erica Kaminishi - Curitiba - PR
2º Lugar: Dircéa Mountfort - São Paulo – SP (Associada Sinapesp)
3º Lugar: Salete Golfinger - São Paulo
4º Lugar: Maria Regina Martello - Curitiba – PR (Associada Sinapesp)
5º Lugar: Gislei Momesso - Três Lagoas – MS
Menção Especial: Carlos Pulegio - São José do Rio Preto – SP (Associado Sinapesp) Tarcísio Brum - São Paulo - SP
“Doação Especial” – Campanha para o Sinapesp.
Agradecemos a todos os nossos associados que se solidarizaram com a nossa campanha e fizeram suas generosas e valiosas “doações”, as quais estão lavradas em nosso “Livro de Ouro”. Agradecemos também aos associados que não puderam fazer suas doações e nos escreveram justificando, visto que a crise se abateu sobre uma grande maioria. Lembramos que esta campanha é em razão da grande inadimplência deste ano.
O Sinapesp é dos artistas e para os artistas e neste difícil momento temos que unir forças para que nosso trabalho não seja interrompido pelas dificuldades.
Com a colaboração de todos, com certeza, conseguiremos superar para continuarmos a nossa luta em novas conquistas para o artista plástico.
Abaixo relacionamos todos os associados doadores até 27/08/2003.
Ana Beatriz Vaccaro Borges
Ana Lucia Feliciano de Camargo
Ana Luiza D. B.Teodoro Ribeiro
Ana Maria Braga de Rezende
Ana Paula M. Saraiva
Anamaria de Aguiar Matte
Angela Elisabeth Faria da Silva
Antonia Célia de Barros Silva
Antonietta Tordino
Aparecida Maria Perdigão
Benvindo Acacio da Silva
Carla Francisca Fatio
Carlos Antonio Pulégio
Carlos Henrique Dercoles
Carlota Clara Baukemann
Cássia Lila Von Hertwig F.de Oliveira
Cecilia de Arruda
Cecilia Norma Postilione Lazuri
Christina Mitropoulos Ponteli
Claúdia Regina G.Campos Chervier
Cleidemar Ivanchechen
Cristiana Bernardi Isaac
Dária da Silva Teixeira
Diniz Felix dos Santos
Edna Ares Gaspar
Ednice Del Nero Masciotro
Eduardo Sá Feitosa
Elder Luiz Palmezan
Eliane Santos Rocha
Elisabete Batista de Paula
Francisca Carolina do Val
Gabriele Longobardi
Galina Sheetikoff
George Nicolas Sheetikoff
Glaucia de Andrade Fischer Morelli
Glória Maria Zamuner Mazzer
Helena Maria de Almeida Arantes
Itália Bianculli Nassar
Izaias José de Souza
Lais da Conceição Gonçalves
Leontina Pinto de Oliveira
Liberata das Dores Rampazzo
Lídice Romano de Moura
Lilia Jurema de Paula Affonso
Lísia Athayde da Motta Bueno
Luciana Gentilezza
Luiz Olimpio M. C. Pinheiro Franco
Luzia Anatália do Bom Sucesso
Marco Antônio Cavallari
Margarida Granja Gregori
Margot Dreger
Maria Bonomi
Maria Anna Tschiedel Pilla
Maria Diederichsen Villares
Maria Domenica Perino
Maria Dulce Massaro
Maria José Gozzi
Maria Luiza Nogueira de Mello
Maria Madalena Fortes do Prado
Maria Regina Conte Rodrigues
Marilu Reinaldi Fernandes Queiroz
Marina Baracchini Cury
Marlene Caprara Balestrery
Miriam Nigri Schreier
Monique Marie Allain e Palomino
Nancy de Andrade Pinto
Neusa D'Arcanchy Bandeira de Mello
Norberto Stori
Olympia Zini Campanella
Onofre Pereira dos Santos
Patrícia Magalhães Cesar Kaufmann
Paula Baroni
Paulo Ferreira
Rizza Conde
Rosemari Fries
Sidnéa Navarro
Sílvia Regina Costa Matos
Solanger Paschoalino
Vera Regina Báierle
Vicente de Mello Latterza
Vilma Bastos de Araújo Bonilha
Virgínia da Silva Sé
Waldimir Góes
Yole Paterniani Travassos
Yutaka Toyota
Zuleika de Oliveira Bisacchi
NB. A Campanha continua...e quem não recebeu a carta e o boleto da doação e quiser participar , favor entrar em contato com nossa secretaria.
“Art Vida Pantanal”
O objetivo da Art Vida Pantanal e deste Projeto é de propor elementos em Arte Plumária, Artesanato Indígena do Mato Grosso (Tribos: Bororo, Umatina, Paresi, Irantaxe, Rikbatsa e Karaja).
A arte plumária brasileira é conhecida internacionalmente, estando representada em importantes museus e coleções, dentro e fora do Brasil. É reconhecida por sua beleza, riqueza e diversidade. A grande habilidade para combinar em perfeita harmonia as mais variadas plumas, a composição de cores e forma surpreende há mais de 5 séculos.
Ainda hoje os grupos indígenas seguem confeccionando belíssimos adornos em penas para diferentes usos.
Somos uma Entidade especializada na divulgação deste tipo de Artesanato e obras de Arte referentes a motivos Indígenas. Temos estreitos contatos diretamente com as Tribos e as Comunidades Carentes que se sustentam pelo Artesanato, na Região.
Contato: Tel. (11) 5512-8746 – Roberto Ripari/Art Vida Pantanal.
E-mail: art_vida_pantanal@ig.com.br
“Devidamente enquadrado”.
“A moldura certa valoriza a obra e a parede”.
Molduras devem estar a serviço do quadro. A regra básica é que elas
chamem menos atenção que a obra. Cada tipo de imagem pede uma moldura adequada.
Veja as sugestões da arquiteta Ana Limongi França.
·
Molduras retas e metalizadas combinam com obras modernas;
quadros clássicos pedem modelos largos de madeira; obras acadêmicas e antigas são
valorizadas por entalhes ou madeira folheada.
·
Painéis não-retangulares ou obras com textura e relevo
dispensam enquadramento.
·
Se a parede tem várias molduras, recomenda-se entre elas
espaço mínimo de 5cm. e no máximo de 20cm.
·
Uma moldura escolhida pelo autor faz parte da obra.
·
Telas com acabamento nos lados podem ser penduradas sem
moldura, a menos que os grampos sejam visíveis.
·
Fotografias ficam bem expostas com passe-partout, papel
que cria uma margem entre a foto e a moldura. Esse papel deve ter pH neutro,
para evitar fungos ou mofo.
·
Espelhos em ambientes clássicos são valorizados com
molduras entalhadas.
·
Gravuras devem ser cobertas com vidro anti-reflexo se
houver incidência de luz direta.
Fonte: Revista Veja 02/07/2003.
“Como ver uma obra de arte”
“Não é o belo que importa, mas o sentido da Arte”.
Aprender a ver é a mais longa aprendizagem de todas as artes.
Portanto, ver e entender uma obra de arte, requer uma atitude de procura.
É comum e freqüente ouvirmos de pessoas que freqüentam exposições, galerias e museus, Expressões como: “O que é isto?” – “O que significa aquilo?”, principalmente quando se trata de arte contemporânea. Tais reações são mais raras quando trata-se de quadros acadêmicos ou descritivos, nos quais as paisagens, figuras e objetos são mais facilmente identificáveis.
Erra redondamente, o observador que procura definir de imediato se gosta ou não de determinado quadro, antes de fazer uma análise mais apurada da técnica, do estilo do artista, e, principalmente, antes de sentir a emoção sentida por ele ao pintar.
Por exemplo, na arte contemporânea, é muito mais acentuada a influência da imaginação do artista sobre o tema, o qual, muitas vezes, deixa de ser um objeto e passa a representar um sentimento, uma emoção, e, como tal, não precisa de formas para se expressar.
No processo de criação, ao abstrair-se da realidade imediata, cada um reflete um mundo próprio, impossível de ser imitado.
Muitas vezes, nem o próprio artista consegue “explicar” sua obra, principalmente quando ela foi produzida com espontaneidade, sem esforço, pois neste caso, o processo formativo de criação teve lugar abaixo do nível de consciência.
Muitas vezes um artista coloca na essência do seu trabalho, sua própria maneira de ser, um desejo de despertar o espectador, uma ajuda sensibilidade sensorial porque saber ver é sentir o que se olha.
Enquanto os homens olham, os artistas vêem.
E, para vermos uma obra de arte do século XXI, necessitamos abrir nossa mente à ciência, filosofia, à religião, a todos os problemas da vida, como transcendem as diversas modalidades espirituais da vida, por que todas elas estão relacionadas.
Nesse sentido, o artista do século XXI se expressa por todos nós ao apresentar uma obra, ainda que sua criação seja estritamente pessoal por que ele nos mostra o que conhecemos e não queremos reconhecer e nos coloca com o que sabemos e não admitimos já saber.
Essa é a arte do século XXI. - Abra sua mente para ela, que está registrando a transição do século XX para o século XXI.
Mali Frota Villas-Bôas
Historiadora e crítica de arte.
“10 Mandamentos para Julgar um Quadro”
1. Olhe atentamente sem se preocupar com o assunto que o quadro representa.
2. Não condene um quadro simplesmente porque nunca viu uma mulher vermelha, ou um cavalo verde. Pintura é sempre criação, é o poder de abstrair-se da realidade imediata.
3. Pense sempre que um bom assunto não faz uma pintura boa, mas que uma pintura boa torna bom qualquer assunto.
4. Não se pergunte ao ouvir BEETHOVEN ou CHOPIN, que significa isso? Deixe de interrogar a toda horas, quando vê uma pintura. A linguagem da música são os sons, da pintura são as formas e cores.
5. Deixe que o quadro absorva, pois sendo a pintura uma linguagem de comunicação visual, a ela cabe comunicar-se com você e não você com ela.
6. Observe as linhas da composição, cada estilo tem linhas próprias de comunicação.
7. Observe as cores, geralmente um quadro tem cores calmas, acidentadas.
8. Observe o claro-escuro. Ele dá a sensação da terceira dimensão.
9. Procure observar se o artista deu mais valor ao volume ou a cor.
10. Medite sempre sobre isto: cada época e cada indivíduo têm um estilo característico.
Por isso não queira que todos pintem iguais a PICASSO ou um PORTINARI – Cada um reflete o seu mundo próprio, impossível de serem imitados.
“CONVOCATÓRIA”
O Colegiado Diretor do Sinapesp-Aiap vem através deste Informativo, conforme os Estatutos Sociais desta entidade, convocar as Eleições Gerais a serem realizadas em 15/12/2003.
De acordo com o capítulo IV, artigo 9º “Das Eleições”, do mesmo Estatuto, o regulamento que rege este assunto é o seguinte:
“A Diretoria e o Conselho Fiscal serão renovados pelo voto direto e secreto, através de eleições gerais, abertas a todos os associados em condições de votar e sem débitos para com a entidade”.
§ 1º - A Diretoria em exercício deverá convocar eleições três meses antes de sua realização, através de jornal de circulação na Capital, Boletim Informativo ou Circular própria para esse fim, de modo a permitir que todos os associados possam ficar cientes;
§ 2º - As eleições devem ser realizadas entre 50 (cinqüenta) ou 30 (trinta) dias antes do fim do mandato da Diretoria e do Conselho Fiscal;
§ 3º - As inscrições de eventuais chapas concorrentes estão abertas até 60 (sessenta) dias antes da realização das eleições (data limite 13/10/2003);
§ 4º - Cada inscrição de chapa deverá ser feita através de comunicação escrita, enviada à Diretoria em exercício, com todos os cargos preenchidos, os respectivos nomes, RG e assinaturas;
§ 5º - As chapas deverão ter a seguinte composição, em ordem hierárquica, para eventual substituição: DIRETORIA: Presidente, Vice-Presidente, Secretário Geral, Tesoureiro, Segundo Tesoureiro, 1º, 2º, 3º, 4º e 5º Suplentes.
CONSELHO FISCAL: 1º Conselheiro, 2º Conselheiro, 3º Conselheiro, 1º, 2º e 3º Suplentes.
§ 6º - À Diretoria em exercício caberá fornecer o endereço disponível de todos os associados às diversas chapas concorrentes;
Art. 10º - São condições para votar e ser votado no processo eleitoral do Sindicato:
I – Estar filiado no Sindicato desde, no mínimo, seis meses antes da realização das eleições;
II – Ser maior de 16 anos para votar e 18 anos para ser votado;
III – Estar em dia com os termos do presente Estatuto e comprová-lo no momento da votação.
Art. 11º - As eleições deverão ser realizadas por escrutínio secreto, nas seguintes formas:
I – Através de urna colocada na Sede do Sindicato com amplas garantias para todos os concorrentes;
II – Caso o associado prefira, poderá enviar seu voto pelo Correio, através de carta registrada postada no mínimo 15 (quinze) dias de antecedência da apuração;
III – A Diretoria deverá enviar a lista das chapas inscritas, bem como, as cédulas de votação aos associados, até um mês antes da apuração;
IV – O prazo para a votação pessoal será de uma semana de 5 (cinco) dias úteis.
Parágrafo único – A apuração das eleições deverá ser feita da seguinte forma:
I – Publicamente, até 5 (cinco) dias após o prazo final das eleições, com fiscalização da apuração por um associado indicado por cada chapa concorrente, ou no caso de chapa única, por dois associados que a elas não pertençam;
III – Os fiscais deverão assinar a ata de apuração, endossando o resultado; Será considerada eleita a chapa que obtiver a maioria simples dos votos considerados válidos.
“Show dá Vida”
Sinapesp-Aiap/Unesco e Sindesp participaram do Evento “Show dá Vida”.
Os artistas do Sinapesp-Aiap/Unesco e os cartunistas do Sindesp participaram do Evento “Show dá Vida”, realizado no dia 28/06 no Parque da Aclimação –São Paulo.
Evento social que foi promovido pelo Jornal do Cambucí e Aclimação – Sr. Roberto Cassebi e Sub-Prefeitura da Vila Mariana – Sr. Luiz Roque Eiglmeier, com o apoio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Cultura e Secretaria do Bem Estar e Saúde que beneficiou as entidades sociais da região. Houve coleta de alimentos e agasalhos, show de vários artistas, feira de gastronomia e artesanato.
Posse da Diretoria da Federação dos Desenhistas.
Na Cerimônia de Posse da nova Diretoria da FENAEDES - Federação Nacional dos Empregados Desenhistas Técnicos, Artísticos, Industriais, Copistas, Projetistas Técnicos e Auxiliares, realizada em 03/07/2003, tomou posse como Membro da Diretoria no cargo de Relações Públicas, para um mandato de 5 anos a Presidente do Sinapesp-Aiap/Unesco Sra. Antonietta Tordino, com o compromisso de incrementar a luta da Regulamentação da Profissão dos Desenhistas, Projetistas e Artistas Plásticos, para que, como trabalhadores reconhecidos conquistem definitivamente seus direitos na sociedade brasileira.
Eu não conheço o segredo do sucesso, mas sei que a chave para o fracasso é tentar agradar a todos.
Havia uma pintora que desejava produzir uma obra que agradasse o mundo inteiro. Depois de pintar um quadro que exigiu o máximo de seu talento, ela expôs ao público.
Na parte inferior da obra, colocou instruções aos visitantes para que assinalassem com um pincel a parte do quadro que não tinham gostado.
Os visitantes, de um modo geral, elogiaram a obra. Porém cada um deles, desejando fazer uma crítica pessoal, assinalou uma pequena parte do quadro.
No final do dia, a pintora ficou desolada ao ver o quadro inteiro transformado em um borrão.
No dia seguinte, a pintora exibiu uma cópia do quadro original. Desta vez, pediu aos visitantes que assinalassem as partes que mais admiraram. Mais uma vez, os visitantes concordaram com o pedido. Ao retornar horas depois, a artista constatou que todas as partes criticadas no dia anterior haviam sido elogiadas pelos visitantes do dia.
A artista conclui que:
“A melhor maneira de agradar metade do mundo era não se importar com a outra metade diz”.
As pessoas sempre têm uma opinião a dar sobre o que dizemos ou fazemos.
O importante é não nos importarmos com as opiniões dos outros.
8º CIRCUITO INTERNACIONAL DE ARTE BRASILEIRA.
Em tempos de incertezas sobre a postura do governo federal em relação à política cultural para o país, grandes afluentes chorando pitangas, temendo a estiagem e o esgotamento da fonte institucional, começamos a sentir o tremor da terra movimentada por iniciativas não governamentais.
É cada vez mais freqüente o aparecimento de pequenas e médias produções em diversas modalidades artísticas oferecendo novas caras e idéias interessantes ao mercado sem no entanto mamar, sugar ou roer as verbas públicas tão “choradas” pelos políticos governantes.
Uma dessas iniciativas é a instituição Colege Arte situada em Uberlândia, Minas Gerais, que com excepcional desempenho de sua diretora Iolanda Gontijo consegue promover a cultura brasileira, divulgando artistas plásticos de todo o país para importantes espaços internacionais a custos aceitáveis. É lógico que a situação econômica da maioria dos artistas plásticos brasileiros é muito difícil, mas geralmente os que trabalham com pouco dinheiro esbanjam criatividade e produzem obras mais relevantes.
Eu particularmente, tive a felicidade de participar com minhas esculturas produzidas em sucatas num dos projetos do Colege Arte – o 8º Circuito Internacional de Arte Brasileira realizado entre maio e junho deste ano, com mostras apoiadas pelos departamentos culturais das embaixadas brasileiras na Europa, este apoio restringiu-se aos espaços cedidos para a exposição, o restante das despesas foi custeado pelas cotas dos 48 artistas participantes.
A exposição itinerou por Londres, Lisboa, Madri e Viena, oferecendo uma brisa de orgulho e saudade aos brasileiros residentes nestas capitais, finalizada por um concorrido coquetel no MAP- Museu de Arte da Pampulha que brindou os artistas participantes com uma placa de menção honrosa internacional.
É muito justo destacar o trabalho desta instituição, o Colege Arte, especialmente da influência da Sra. Iolanda Gontijo que realiza todos os trâmites burocráticos perante minuciosa avaliação dos órgãos competentes, legitimando e transparecendo em credibilidade, atraindo cada vez mais os patrocinadores sérios e sinceros que apostam na cultura como vias para o futuro do país.
Edgard Santo Moretti – Artista Associado.
APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte com nova diretoria.
Os críticos de São Paulo escolheram a diretoria da APCA para o biênio 2003/2005.
Leila Reis presidência na diretoria-executiva, da qual participam também os jornalistas Luiz Carlos M. Lanyi, Pedro Só, Enock Sacramento, Alessandro Giannini, Fátima Cardeal e Dib Carneiro.
O que é ser crítico?
A pergunta que intitula este texto perpassa a prática do crítico de arte não só por ser uma reflexão sobre o seu cotidiano profissional, mas por obrigar a repensar os limites entre as atividades do artista e do pesquisador de arte, sem excluir, é claro, aqueles que somam as duas atividades.
Se, por um lado, a produção artística em si mesma não é uma ciência, a análise da obra artística pode ser considerada como tal, pois tem um certo método. Ao se falar em ciência, porém, não se pode pensar em algo único. Há, no mínimo, três vertentes: a empírico-analítica, a histórico-hermenêutica e a dialética. Vejamos o que elas significam e como se relacionam com o trabalho do crítico de arte.
O sociólogo Auguste Comte, por exemplo, numa ótica evolucionista, vê a ciência como um estágio avançado do ser humano, após este ter passado pelos estágios mitológico e teológico. O seu conceito positivista, de que a ciência trabalha com verdades absolutas, no entanto, teve um sério abalo no século XX, com a teoria da relatividade e a física quântica, que mostraram como as chamadas ciências exatas não são tão exatas assim. Pode-se exemplificar com o princípio da incerteza Heisemberg, que mostrou a impossibilidade de determinar a localização exata de uma partícula subatômica.
Se na análise empírico-analítica positivista, o foco da análise da ciência é o objeto analisado, com uma busca absoluta da objetividade, como ocorre nas ciências naturais, como nas pesquisas em laboratório; na análise histórico-hermenêutica, o sujeito, ou seja, o cientista ganha o primeiro plano, sendo aquele que busca compreender, a sua maneira, o objeto analisado.
Os dois caminhos levam a exageros. No primeiro caso, alguns tendem a achar que o objeto analisado, em si mesmo, explica tudo; no segundo, ocorre o oposto, ou seja, relativiza-se qualquer tentativa ou concretização de estudo ou de compreensão de significados.
Desses dois enfoques, surge um terceiro, de grande valia, o dialético, que acredita na interação entre sujeito e objeto como caminho para a análise de alguma realidade, seja ela social, econômica ou artística. Da influência mútua entre o objeto analisado e quem o analisa surge a possibilidade de uma profícua crítica de arte.
Ao se analisar o papel do crítico de arte, portanto, são possíveis essas três dimensões. Há aquele que analisa fria e tecnicamente a obra de arte, utilizando critérios técnicos como se estivesse diante de uma planta ou animal a ser dissecado. Há ainda aquele que adora critérios meramente subjetivos, deixando de lado qualquer abordagem lógico-científica; e, finalmente, existe a possibilidade de aliar a observação empírico-analítica ao conhecimento histórico-hermenêutico, encontrando as contradições essenciais e secundárias presentes na obra de arte.
Essas contradições geralmente estão ligadas ao conflito maior de um artista: a distância entre o que ele vê no mundo e o que ele gostaria de ver. Dessa diferença, surge a arte. Cabe ao crítico identificar o conflito em suas mais variadas formas e verificar como ele se expressa plasticamente, seja por meio de formas, linhas, cores ou outros recursos plásticos.
Acima de tudo, o crítico, ao se debruçar sobre um objeto artístico, nessa proposta dialética, deve estar apto a gerar um novo conhecimento, ou seja, criticar o que foi feito e o que já se falou sobre o objeto estético em questão, dando a sua contribuição para a reflexão. Quando isso ocorre, o crítico cumpre de fato o seu papel e dá a sua contribuição à sociedade.
Oscar D’Ambrosio, pós-graduando no Instituto de Artes da UNESP, integra a AICA (Seção Brasil) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).
Uma morte esquecida
Oscar D’Ambrosio
Os grandes jornais do País inteiro ignoraram, mas o Brasil perdeu um de seus grandes artistas em 2 de fevereiro último. Sebastião Theodoro Paulino da Silva, celebrizado como Ranchinho, pintor radicado em Assis, interior de São Paulo, ao partir, com 80 anos, deixou, entre outras obras, impressionantes e poéticas telas noturnas com janelas de casas iluminadas em dourado e cenas cinzentas em que as figuras parecem se desfazer em meio à chuva torrencial.
Ao observar essas telas, percebe-se que se está perante um artista de composições bem definidas, cores marcantes e temas geralmente ligados ao interior, com numerosas imagens de Assis, como trens, circo, galinhas, caminhões e cenas de colheita e rodeio. No entanto, em vez de observar esses atributos do artista, a maioria dos jornalistas e críticos que conhece a sua obra preferiu infelizmente acentuar a biografia do pintor, não o seu talento com formas, cores e tintas.
Por isso, já foram escritas dezenas de páginas sobre a deficiência mental do artista, seu analfabetismo, dificuldade de falar e exibicionismo sexual, contornado a partir do momento em que ele se dedicou em tempo integral à arte, mas pouco se analisou o seu estilo que, ora impressionista ora expressionista, mas sempre vigoroso, é dotado de uma linguagem própria.
Ranchinho tinha sua única oportunidade de se inserir numa sociedade que tendia a excluí-lo. Nascido em 1923, na fazenda Santo Humberto Lameu, município de Oscar Bressane, próximo a Assis, filho de um casal de bóias-frias, não falava nem ouvia direito. Com esse histórico, foi expulso da escola, já que não conseguia acompanhar as aulas, e só arrumou um trabalho fixo: auxiliar de João Romeiro, vendedor de garapa em Assis.
Para piorar, Sebastião perdeu o pai com dois anos; o irmão mais velho e a mãe, com 25 anos; e o patrão e amigo João Romeiro, com 31 anos. Passou então a morar em pequenos ranchos abandonados, de onde veio o apelido Ranchinho. Desde a escola, Sebastião, que costumava realizar desenhos, com tocos de lápis e giz de cera, entrou definitivamente para o mundo da pintura pelas mãos do corretor de seguros José Nazareno Mimessi, um Assissense apaixonado pela arte de raízes populares.
Ranchinho estimulou o então artista em potencial a pintar em guache, promovendo, nos anos 1970, uma série de exposições na cidade, com ampla repercussão, rendendo mostras em São Paulo, uma crônica emocionada e emocionante de Lourenço Diaféria, mestre do gênero, e um artigo exaltando seu talento de Radha Abramo na revista semanal Veja.
A obra de Ranchinho merece, portanto, no mínimo, duas leituras. Primeiramente, temos admiração pelos seus quadros. Depois, pela sua trajetória de vida. Com a simplicidade de uma criança e o talento de um gênio artístico, ele nos fez refletir sobre a própria condição humana.
Pinceladas firmes, imagens noturnas repletas de vida e alegres circos tiraram Ranchinho da marginalidade e do anonimato. Muito além do batido trocadilho de que é um excepcional artista, não um artista excepcional, o autodidata Ranchinho dominou de forma admirável a técnica da perspectiva, que utiliza em cenas de casamento – um deles, engraçadíssimo, em que é servido ovo frito na festa – , quintais com animais domésticos e moças pulando cercas ao se deparar com bois ou cobras.
Ranchinho, portanto, não foi – e continua sendo – um grande artista. Especificamente no âmbito artístico, ao recriar o mundo com seus pincéis, colocou-se como um exímio pintor; e, enquanto ser humano, com sua simplicidade e sorriso aberto, fez lembrar que a vida pode ser simples.
Oscar D’Ambrosio é jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (Aica – Seção Brasil) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).