Informativo Artigos - Março / Abril 2004

 

Nota de Falecimento

 

Manifestamos nosso pesar pelo falecimento da Artista Plástica Ernestina Karmann em 13 de março de 2004 aos 88 anos.

A Missa de 7º Dia será realizada na próxima sexta-feira 19/03 às 8:30 horas na Igreja Nossa Senhora de Fátima - Av. Alfonso Bovero - Bairro Sumaré - São Paulo -SP

 

Temática Rural

Oscar D’Ambrosio


      Há pintores que têm no passado a grande matriz de sua inspiração. Seu mundo imagético geralmente gira ao redor de recordações da infância. A reprodução dessas lembranças em telas torna-se, talvez, uma forma de não se desapegar de um passado difícil, mas que pode funcionar como um porto seguro em meio a uma sociedade caótica.

      Esse foi o caso de Climério Souza Cordeiro. Nascido em 19 de julho de 1958, em Ilhéus, BA, e falecido em 17 de janeiro de 2004, em São Bernardo do Campo, ele passou a infância na região cacaueira, em sua cidade natal, e em Itabuna. Conheceu assim tanto a beleza como o trabalho duro da agricultura e da pecuária.

      Em 1970, repetindo a história de milhões de nordestinos, que saem de sua terra em busca de futuro melhor, Cordeiro migrou para a região Sudeste. Estabelecue-se em São Bernardo do Campo, SP, onde realizou, em 1974, cursos de desenho, xilogravura e pintura na Associação Sãobernardense de Belas Artes (ASBA).

      Foi com o pai, pedreiro numa empresa de construção civil, que Cordeiro tomou gosto pelas tintas. Trabalhando como ajudante, limpava rodapés das paredes. Ao ver, nas casas humildes que o pai pintava, decorações simples feitas nas paredes, foi tomando gosto pela arte.

      O resultado veio em 1978, quando Cordeiro passou a ser artista plástico profissional. Na sua obra, predominam a simplicidade de temas, como os rurais, e traços ingênuos, que evocam a infância perdida no interior da Bahia. Cada tela surge como uma recordação de imagens perdidas no tempo, mas que permanecem vivas em paisagens rurais de cores intensas, com figuras geralmente pequenas e desenhadas com riqueza de detalhes.

      Em 1993 Cordeiro mudo para Goiânia e, em 2000, retornou a São Bernardo do Campo. Nesse ínterim, seus quadros passaram a integrar diversos acervos, como os da Pinacoteca de São Bernardo do Campo, da Galeria Álvaro Santos, em Sergipe, da prefeitura de Penápolis, SP, e de instituições como o Itaú Cultural, em São Paulo, Capital.

      Além de numerosas coletivas, Climério realizou exposições individuais em São Paulo, Bauru e Campinas, além de Aracaju, SE, e Ilhéus, BA. Seus quadros também já foram adquiridos por colecionadores da Itália e da Espanha e encantaram o público estrangeiro pela capacidade do artista de apresentar atmosferas rurais com extrema delicadeza e sensível saudosismo lírico.

      Em seus últimos anos de vida, Cordeiro continuou pintando obras com temas rurais, além de levar para as telas paisagens atuais e do passado de São Bernardo do Campo, como a igreja de Rudge Ramos, e as antigas granjas do bairro Cooperativa. Mostrou assim versatilidade e capacidade de recriar os mais diversos tipos de imagens.

      Climério Souza Cordeiro tornou-se assim uma expressão superlativa da arte naïf pela sua autenticidade temática. Ao mostrar imagens rurais, há uma intensa verdade imagética, que pode ser observada tanto nos traços finos e precisos como na instauração de um doce clima de nostalgia, oriundo de uma realidade que, devorada pelo progresso e pela tecnologia, praticamente não existe mais.

      Nas pinceladas serenas de Cordeiro, as cenas rurais não são pretexto para nada. Valem em si mesmas. Ingênuas e serenas, evocam o doce desejo de viver num mundo equilibrado e justo, em que as leis naturais e éticas predominem. A arte naïf do pintor baiano aponta para esse ideal.

       

      Oscar D’Ambrosio integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e é autor de Contando a arte de Ranchinho e Contando a arte de Maroubo (Novhaa América).

      

O Primitivista Sacro

      

      Oscar D’Ambrosio

      

      “Sem a imaginação, que utilidade teria para o homem a inteligência?”. Essa frase do escritor pernambucano Joaquim Nabuco (1849-1910) é um excelente mote para lembrar a arte do pintor e escultor espanhol naturalizado brasileiro Valdesoiro, falecido em São Paulo, em 28 de setembro de 2002. Sua arte foi um mergulho numa forma de expressão única: o primitivismo sacro, ou seja, a pintura de imagens de santos com rostos vinculados ao primitivismo, acompanhados de molduras de feição barroca.

       Nascido em Toledo, Espanha, em 18 de junho de 1927, Marceliano Valdesoiro Fernandez logo se mudou para Barcelona, onde o pai matinha uma oficina de restauração, trabalhando com diversos materiais, principalmente madeira e telas, e objetos, como móveis e esculturas.

       Desanimado com a difícil situação na Espanha, que vivia a ditadura de Francisco Franco, Valdesoiro resolveu emigrar. Pensou em ir para países como a Argentina e a Venezuela, de língua espanhola, mas como a entrada de estrangeiros estava fechada, optou pelo Brasil, onde chegou em 25 de dezembro de 1953.

       A jornada foi mais feliz do que ele mesmo poderia imaginar. Em 10 de janeiro de 1954, menos de um mês após a chegada, Valdesoiro já tinha seu negócio próprio, entalhando molduras. Mais tarde, teve uma loja na área de restauração e venda de objetos artísticos na então badalada Rua Augusta.

       Uma guinada aconteceu, porém, na década de 1980, quando conheceu, na Praça da República, a pintora primitivista Wilma Ramos, que o aconselhou a pintar santos. Surgiu assim um estilo único; que cruza a religiosidade espanhola com a arte autodidata. A aceitação foi imediata, principalmente na Praça e, depois, por diversas galerias de arte.

       Nasceram assim pinturas de santos, com adornos bem trabalhados nas vestes sobre um fundo infinito negro. Rodeados por anjos e com aureolas que são verdadeiras coroas douradas com numerosos detalhes internos, principalmente em azul e vermelho, além de ramos verdes em torno de cada imagem.

       O resultado se diferencia por dois motivos. O primeiro e mais importante é uma técnica que Valdesoiro nunca revelou a ninguém, aprendida em sua juventude na Espanha, que dá às imagens um certo tom de Antigüidade. Uma mistura de tinta a óleo com outros materiais dá ao observador a impressão de estar perante um trabalho muito antigo.

       O segundo são as molduras. Entalhadas e assinadas pelo próprio Valdesoiro compõem, junto com a tela, uma obra única. É impossível separá-las. Ambas nos remetem às catedrais espanholas, mas com um tom primitivista encantador. Ao contrário das dramáticas imagens européias, os santos de Valdesoiro, graças às cores, apresentam, pela forte expressão e tamanho dos olhos, uma simpatia que não exclui o misticismo.

       As cores de Valdesoiro, ao se tornarem opacas pelos recursos técnicos utilizados evocam a arte cuzqueña, mas se diferenciam pela ausência do barroquismo carregado dessa manifestação artística peruana. Quanto as imagens, possuem uma digna irreverência tropical, pois os santos e santas parecem prontos a rir, mas há uma força suprema que os inibe, deixando-os comportados, mas prontos a transmitir alegria aos homens.

       Com uma imaginação capaz de criar sem violar as normas da Igreja, Valdesoiro concebeu, em fundo negro emoldurado em estilo barroco, santos que constroem, graças a um original estilo primitivista sacro, uma delicada e sólida ponte de fé entre os santos e os homens.

Oscar D’Ambrosio é jornalista, crítico de arte e autor de Contando a arte de Ranchinho e Contando a arte de Maroubo (Editora Novhaa América).
   


Convocação para Assembléia Geral Ordinária


Convocamos todos os Associados do Sinapesp-Aiap, para a Assembléia Geral Ordinária, que se realizará em 15/03/2004, sendo a 1ª convocação às 17:00 horas e a 2ª convocação às 17:30 horas.

Pauta da Assembléia: a) Aprovação das Contas do ano 2003 - b) Assuntos Gerais



Associado,

Atualize o seu e-mail entrando em contato com nossa sede ou no site www.sinapespaiap.com.br , pois estamos enviando informações importantes!




Prezado Artista Associado,


ATENÇÃO!

Gostaríamos de alertá-los para o cuidado quanto à assinatura de contratos, a formação de sociedades e filiação em Associações e outras entidades.

Leiam com atenção os estatutos e as regras contratuais, muitas instituições estão promovendo filiações e parcerias vitalícias; ou seja, mediante a aprovação do associado não será mais permitida a dissociação.

Verifiquem sempre seus direitos e deveres para que não ocorram danos maiores.

 


 

Exposição – “Trilogias” – 3ª Mostra:


Artista Associada: Márcia Franco

Local: Espaço Cultural Infraero – Aeroporto Internacional de São Paulo / Guarulhos

Data: de 05/02/2004 à 04/03/2004


Exposição online do artista Associado Jeron a partir de 22 de janeiro:

 

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Marylin Diggs tem quadro no Museu da Arte Brasileira


Associada do Sinapesp-Aiap/Unesco, Marylin Diggs, tem um quadro exposto na exposição Novas Aquisições – 1995/2003 no Museu da Arte Brasileira. A mostra reúne cerca de 70 obras entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e instalações, de diversos movimentos artísticos. São trabalhos de Tarsila do Amaral, Pancetti, Alex Fleming entre outros. O quadro da Marilyn se chama “Tahiti- Encontro DiCavalcanti e Gauguin”. Ele fazia parte da exposição “Meus Caros Amigos” apresentada na Chelsea Art Gallery em 1990 em São Paulo. Foi a primeira exposição de Marilyn Diggs no Brasil e é uma homenagem aos Modernistas através de pinturas chocantes e bem humoradas. É a vez da arte brasileira deixar sua marca na arte européia. Marilyn colocou alguns personagens emblemáticos de cada pintor brasileiro – a mulata de Di, o Abaporú de Tarsila, a Estudante de Anita Malfatti – no contexto de uma obra Impressionista, substituindo, por exemplo, a Olympia de Manet ou integrando o Déjeuner sur l’Herbe.. No quadro exposto na exposiçaõ no MAB, uma mulata de Di escuta música com as tahitianas de Gauguin.


A Exposição Novas Aquisições – 1995/2003 está no Museu de Arte Brasileira – MAB – Faap (Rua Alagoas, 903 – Pacaembu – São Paulo/SP). De 3ª a 6ª, das 10h às 21h sáb., dom e fer., das 13h às 18h. Até 07/03.


Marilyn Diggs www.mdiggs.com; diggsart@aol.com

Leciona na Galeria Jardins – R. José Maria Lisboa, 349 – Fones: 3884-5911 / 3884-7767

 


 

Paraenses se destacam na II Bienal de Arte Moderna


Os paraenses foram o destaque da III Bienal de Arte Moderna de Mato Grosso, que contou com a participação de 247 artistas plásticos.


Os paraenses foram o destaque da III Bienal de Arte Moderna de Mato Grosso, que contou com a participação de 247 artistas plásticos de várias partes do país. O alto nível e a variedade de estilos e técnicas obrigou o júri, formado por críticos de São Paulo e Mato Grosso, e a comissão organizadora a aumentar a lista de selecionados para 22 participantes - foram propostos inicialmente 20. As obras desses artistas poderão ser vistas pelo público a partir do dia 3 de março, numa exposição que contará com a participação especial de trabalhos de Romero Britto.

Entre os três ganhadores do Grande Prêmio, estão dois paraenses: Evandro Batista Prado e Saint"Clair G. Dias, ambos da Capital, Belém. O terceiro foi para a representante de Curitiba (PR) Maria Regina Martello Maluf. Eles ganharão um pincel de ouro e R$ 1.000,00, explica Heleninha Botelho, da Associação Cuiabana Belas Artes (Acubá), uma das organizadoras do evento.

Já entre os ganhadores do Prêmio Simples, que equivale a segunda colocação, aparece outra paraense, Lise Dacier Lobato, de Belém. Os outros dois ganhadores foram Mari Bueno, de Sinop, e Wender Carlos, de Cuiabá. Eles receberão R$ 1.000,00 cada um.

Os paraenses também conseguiram emplacar mais um entre as Menções Honrosas, com Emanuel Franco, de Belém. A paulista Fernanda Ferreira de Almeida Assumpção, de São Paulo, e os mato-grossenses Osvaldina dos Santos, de Cuiabá, e Télio Fernandes, de Várzea Grande, também receberam menções.

A lista de selecionados para a exposição deveria ter dez artistas, mas ficou com 12, já que a comissão organizadora e o júri decidiram colocar mais duas pessoas no rol. Havia muitos trabalhos de alto nível e os jurados acharam que eles não deveriam ficar de fora, observa Heleninha. Os representantes mato-grossenses são Albina de Oliveira, Almira Reuter, Anailde Gomes da Silva, Edeja Ribeiro Dias, Gilberto Izdebski, Luciana Godoi, todos de Cuiabá, e Thiago Alencar (Aled), de Rondonópolis. -MT. Da região sul, foram selecionados Tânia Leal Guerino, de Curitiba (PR), João Alberto Barbosa P. Osório e Lana Michelini, ambos de Porto Alegre (RS). Sandra Maria Romano e Silvia Andrade de Ruiz, da Capital paulista completam a lista.

O júri contou com a participação do crítico e mestre em Artes Oscar Alejandro D"Ambrosio, nascido em La Plata e naturalizado brasileiro, a presidente do sindicato dos Artistas Plásticos do Estado de São Paulo (Sinapesp) e membro da Associação Internacional de Artes Plásticas Antonietta Tordino e do crítico e mestre em Artes Serafim Bertoloto, de Mato Grosso. Para que não houvesse dúvidas quanto ao resultado, apontou Heleninha, eles analisaram as obras - três de cada artista - conhecendo apenas seu número de inscrição.

Serafim Bertoloto conta que participou pela primeira vez de uma bienal da Acubá e se surpreendeu, principalmente com a qualidade de alguns trabalhos vindos de fora do Estado. Segundo ele, Mato Grosso ainda está muito preso à pintura e carente no que diz respeito às novas linguagens, ao trabalho com a materialidade, exemplifica. E os artistas paraenses, justifica, já estão nesse nível há mais tempo. Em sua opinião, faltaram também alguns artistas modernos de Mato Grosso considerados de boa qualidade. Como Vitória Basaia, que trabalha com materialidade, cita Bertoloto, que é professor de Artes e artista plástico. O caminho para os artistas do Estado, completa, deve ser a experimentação. "Arte é vivência, ele tem que experimentar essa materialidade".

A artista plástica ceramista e presidente do Sinapesp Antonietta Tordino lembra que a mistura de estilos promovida por alguns artistas atrapalhou um pouco a análise. Às vezes ele mostra qualidade numa paisagem e o mesmo não acontece numa abstração, então fica difícil saber se não foi uma espécie de golpe de sorte, diz. Em sua opinião, eles deveriam ter inscrito três trabalhos do mesmo gênero. Porém, de uma forma geral, ela considerou os trabalhos de um bom nível. "Tive dificuldade de escolher", confessa. Em relação a arte dos mato-grossenses, ela acha que a regionalidade, o verde típico, tem que continuar sendo mostrado nas artes. A qualidade dos trabalhos, de várias partes do país, mostra que muitos estão num nível internacional, sem perder a identidade regional.

Oscar D"Ambrósio, que é um estudioso da arte naïf, também conhecida como primitiva, diz que esse tipo de acontecimento é importante para que haja um intercâmbio tanto de informações sobre artistas quanto tendências. "Quando a gente pensa na arte de Mato Grosso fica uma imagem muito estereotipada, aquela coisa só imagem do Pantanal, de natureza e naïf. E não se esgota só nisso", garante. Para ele, "a grande tendência da arte hoje é essa fusão. Você tem grandes temáticas universais com características regionais e nisso o Brasil tem muito a contribuir", referindo-se não só a arte mato-grossense mas brasileira de uma maneira geral. E nesse time vão bem gente como Nilson Pimenta, Sebastião Mendes, Adão Domiciano, além de Clóvis Irigaray, "um nome fundamental, que precisaria de uma divulgação maior fora daqui", exemplifica.

O colorido e a alegria das artes plásticas brasileiras também estará representado pelo artista plástico pernambucano Romero Britto, que terá três de suas obras expostas na Bienal. O pintor radicado nos Estados Unidos é hoje um dos mais famosos do mundo e suas obras estão na casa de várias celebridades do mundo pop. Largou a faculdade de Direito em 1986 para viajar à Europa e vender suas telas nas ruas e começou assim sua trajetória de sucesso. Depois de fazer um trabalho para a vodca Absolut, chamou a atenção de muita gente famosa, como Madonna, Bill Clinton, Michael Jordan, Elton John, Whitney Houston, Gloria Estefan e Arnold Schwarzenegger, que comprou quase 20 telas. Hoje, participa de coletivas e faz individuais em todo o mundo. No ano passado suas obras percorreram países como Alemanha, Estados Unidos e Holanda.


Luiz Fernando Vieira
Da redação – Imprensa Cidade Cuiabá/MT

 


 

Governo de SP cria Conselho de Cultura


C&N - 16/12/2003

Geraldo Alckmin governador de São Paulo, e Claudia Costin, secretária de Cultura do Estado, anunciaram a criação do Conselho Estadual da Cultura. O conselho, formado por 17 membros, 11 ligados ao governo e sete da sociedade civil, contará entre outros com: Edemar Cid Ferreira, Horacio Lafer Piva, Persio Arida, Fernando Xavier e Hector Babenco. Enquanto essas decisões tomavam corpo e forma, uma série de e-mails, cartas e outras manifestações iam chegando à Osesp pedindo a permanência do maestro-titular e diretor artístico John Neschling, que a transformou na mais bem-sucedida orquestra do país.

 


 

Críticos de São Paulo escolhem os melhores do ano; Veja lista


Folha on-line – 16/12/03

A Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) anunciou hoje a lista dos melhores do ano em várias categorias. A escolha foi feita por cerca de 70 jornalistas associados representando as principais publicações de São Paulo. Os prêmios - um troféu-escultura criado especialmente para a APCA pelo artista plástico Francisco Brennand - serão entregues em cerimônia oficial na noite de 29 de março de 2004, no Theatro Municipal de São Paulo. Os prêmios são entregues nas seguintes categorias: artes visuais, cinema, dança, literatura, literatura infantil, MPB, música erudita, rádio, teatro e televisão. Veja a lista dos premiados:
Artes Visuais

Grande Prêmio da Crítica: "Albert Eckout Volta ao Brasil"
Retrospectiva: "Samson Flexor"
Curadoria: Tadeu Chiarelli, por "Novecento Sudamericano"
Escultura: Franz Krajcberg, pelo conjunto da obra
Ação Cultural: 1.ª Quadrienal Internacional de Aquarela
Exposição Nacional: "Claraluz", de Regina Silveira
Exposição Internacional: "Tate: a Bigger Splash"

 


 

Frateschi quer mudar tetos da Lei Mendonça


Panorâmica – Folha Ilustrada – 17/12/03

O secretário municipal de Cultura de SP, Celso Frateschi, pretende estabelecer tetos por área para o custo de projetos submetidos à Lei Mendonça a partir de 2004. Pelos novos critérios, cada segmento teria um limite próprio. "Como o teto geral hoje é de R$ 1 milhão, boa parte dos projetos chega com orçamentos de R$ 998 mil, mas nem todos precisariam disso tudo", diz Frateschi. O próximo edital da lei, previsto para março, já traria os patamares setorizados. Os valores serão definidos com o Conselho Municipal de Cultura.

 


 

COMO PAGAR DÍVIDAS COM OBRAS DE ARTE


A mostra Picasso, em São Paulo, cujas telas foram doadas ao governo francês para quitação de débitos com o fisco, ajudam a entender o funcionamento de um ótimo recurso tributário.

Fernanda Galvão - Isto É Dinheiro - SEU DINHEIRO – 28/01/2004


As 125 obras da mostra “Picasso na Oca”, de 28 de janeiro a 2 de maio, em São Paulo, só deixaram o ateliê do gênio e os cofres de instituições financeiras graças a uma imensa dívida dos herdeiros do maior pintor do século XX com o fisco francês. Em 1990, os parentes do mestre de Málaga utilizaram um recurso jurídico – a “dação em pagamento” – para quitar US$ 20 milhões em débitos com o governo da França. Os tesouros expostos no Ibirapuera, como Retrato de Homem, de 1902/1903 (ao lado), fazem parte desse lote dado ao Ministério da Cultura de François Mitterrand pela filha de Jacqueline Roque, a última mulher do pai do cubismo. A dation, no original, em francês, permitiu o enriquecimento do Museu Picasso, em Paris. Foram cinco anos
de negociações, até que os peritos separassem o trigo do joio e chegassem ao valor adequado ao pagamento do rombo familiar. Os advogados do espólio insinuaram interromper as conversas. A ameaça: caso o governo não quisesse os quadros, eles seriam vendidos no exterior – e o pagamento dos impostos feito em dólares. Mas a transação deu certo. No final, um recurso tributário resolveu os problemas de herança e pôs de pé um dos mais belos acervos do mundo.

Uma parcela dele chega agora ao Brasil e induz a uma pergunta: é possível quitar dívidas com obras de arte, como fizeram os Picasso? Sim. A dação em pagamento também é regulamentada no Código Civil Brasileiro. Ela prevê a quitação de débitos por meio de qualquer tipo de bem, de imóveis a jóias, de automóveis a telas, desde que o credor aceite a oferta. É uma iniciativa que vale para empresas e devedores individuais.

Nos anos 80, o falido Banco Halles liquidou sua dívida com o Banco Central com 15 peças de Portinari da década de 50, hoje avaliadas em US$ 7,1 milhões. As peças pertenciam, originalmente, à revista Cruzeiro. Entre elas, está Desembarque dos Pioneiros, a mais valiosa, estimada em US$ 2 milhões. As pinturas de Portinari, porém, não estão sozinhas na coleção do BC. Nas décadas de 70 e 80, o banco montou uma coleção invejável, abrigada agora na sede em Brasília, numa reserva técnica de primeira qualidade. São 200 peças de autores brasileiros como Di Cavalcanti, Volpi, Tarsila do Amaral e de estrangeiros como Salvador Dalí. O valor estimado: US$ 11,8 milhões.

Na prática, a dação em pagamento funciona como um contrato comum de compra e venda. Segundo o advogado Bruno Balduccini, do escritório Pinheiro Neto, de São Paulo, não há restrições previstas em lei. A maior dificuldade no processo de dação é que as duas partes envolvidas precisam concordar com o valor definido para o bem. O acerto fica ainda mais distante quando se refere ao preço de um objeto de arte, já que a cotação depende de fatores como raridade e qualidade da produção, quase intangíveis. Por isso, quem pensa em usar o recurso jurídico precisa contratar um marchand para avaliar a peça. Quase todas as galerias e antiquários estão aptas a fazer o trabalho. Na hora de escolher, porém, recomenda-se checar se o profissional é um especialista naquele tipo de obra, seja pintura, escultura ou fotografia. O ideal é que o avaliador também conheça profundamente o autor, a época e o estilo do objeto.

Um dos aspectos decisivos dessa avaliação é o cálculo do tempo que o novo proprietário levará para revender a obra. De acordo com o advogado Túlio Cohn, do escritório paulista Simonetti Cohn, Passarelli e Germanos Advogados, o trabalho pode ser de um grande artista, mas se não houver demanda por ele no momento, não valerá muito. Seu conselho aos inadimplentes: peça sempre uma segunda opinião, e, se houver tempo, pondere se não é melhor vender a peça e saldar a dívida em moeda corrente. “Com esse procedimento, o devedor ainda poderá ter lucro”, resume Cohn.

 


 

Selecionados da Bolsa Vitae


Pioneira no país, a premiação se encerra na edição deste ano.

Paula Santos – Caderno B – JB – 31/01/04


A Fundação Vitae, que patrocina a arte no Brasil desde 1987, anunciou os 28 selecionados do Programa Bolsa Vitae de Artes 2003 nas áreas de cinema e vídeo, artes visuais e fotografia.

Os contemplados, que concorreram com quase 500 candidatos, receberão uma bolsa mensal de R$ 3.500, por um período de 6 a 12 meses, para desenvolver projetos que vão de roteiros e performances.

Entre os selecionados deste ano, 11 são do Estado do Rio. Entre eles, figura o roteiro de uma produção cinematográfica de Jorge Bodansky: o musical Chiquinha Gonzaga, com roteiro que será escrito por Patrícia Melo, trilha sonora do maestro John Neschling e da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, e coreografias de Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo.

Outro projeto é um livro do fotógrafo Evandro Teixeira sobre 68 personagens de uma foto tirada por ele durante a Passeata dos 100 mil, em julho de 1968.

- Há histórias de tristeza e histórias felizes. Há também histórias de amor, como a de casais que, ao rever as fotos, descobriram que ambos apareciam ali, quando ainda nem se conheciam - diz Evandro.

A carioca Laura Erber, de 25 anos, obteve bolsa com um roteiro que será escrito em parceria com o cineasta Eryk Rocha sobre a vida da mineira Carolina Maria de Jesus, lavadeira, moradora de favela e escritora do livro-diário Quarto de despejo . Em 2001, Laura Erber ganhou o prêmio Nova Fronteira pela melhor adaptação livre da obra de Guimarães Rosa com o vídeo Campo geral. Ainda na categoria Cinema e Vídeo, foram contemplados um projeto da cineasta Tata Amaral sobre uma jovem de 17 anos que quer ser cantora de rap, e um livro de Vera Hamburger sobre a direção de arte no cinema brasileiro.

Nas artes plásticas, um projeto vindo da Bahia se propõe a estudar o processo de transformação do corpo de travestis em Salvador. Intitulado As dobraduras da matéria: uma poética do metamorfismo no corpo do travesti , o projeto vai resultar numa instalação com fotografias, depoimentos pessoais e objetos íntimos desses personagens.

- Tudo começou em 2002, quando conheci o travesti Rosana, que era dona de uma pousada só para travestis do interior. Conheci o trabalho de superação da anatomia masculina para alcançar a feminina.

Os contemplados incluem ainda a pesquisadora Ivana Bentes, o artista plástico Eduardo Coimbra e a cenógrafa Vera Hamburger (veja lista completa no site www.vitae.org.br).

Ao longo de 16 anos, a Fundação já financiou 409 projetos, beneficiando criadores como os cineastas Nelson Pereira dos Santos e Júlio Bressane; o diretor teatral Aderbal Freire-Filho; o fundador do grupo de teatro de bonecos Giramundo, Álvaro Apocalypse; o compositor Francis Hime; a artista plástica Lygia Pape; a cantora Tetê Spíndola; e os coreógrafos Lia Rodrigues e Rodrigo Pederneiras.

Em 1995, a Fundação concedeu bolsa a Paulo Lins para que ele pudesse escrever Cidade de Deus, livro que inspirou o filme de Fernando Meirelles, indicado para o Oscar em quatro categorias. Apesar dos bons serviços, a Fundação se prepara para realizar a última seleção para as bolsas, com inscrições em julho e premiação em 2005, para as áreas de literatura, música, teatro e dança.

- Vamos parar de distribuir as bolsas por problemas orçamentários. A Fundação Lampadia, sediada em Liechtenstein, que nos repassava os recursos, não nos mandará mais dinheiro - explica Gina Machado, gerente de projetos culturais da Vitae.

O artista plástico e professor da Escola de Arte da UFRJ Carlos Zílio, que integra a comissão de seleção da Bolsa Vitae para artes visuais, lamenta:

  • Não há nada parecido com as Bolsas Vitae no Brasil para a arte. Além de representarem um valor significativo, que possibilita o desenvolvimento de um projeto, têm tradição de seriedade no julgamento e abrangência nacional.

 


 

Diretor do Sesc SP apóia criação de fundo de cultura


Folha Ilustrada – 09/02/04

O diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo dos Santos Miranda, aderiu ao abaixo-assinado que solicita a criação do Fundo Estadual de Arte e Cultura, que pede dotação de R$ 100 milhões anuais para aplicação em projetos de todas as áreas artísticas no Estado de São Paulo.

O projeto de lei que prevê a criação do fundo está atualmente em condição de pauta na Assembléia Legislativa de São Paulo.